O início

Uma trajetória artística que teve seu começo na terceira série (o equivalente à segunda série do ensino fundamental hoje), com uma medalha recebida por um cartaz sobre “Higiene Bucal”!
Desde então, apoiada por minha família, não parei mais de desenhar e pintar. Passava horas em cima das árvores (meu refúgio favorito!)lendo e viajando nas imagens dos livros ou, isolada, desenhando e pintando. Inclusive paredes, o que me rendeu um convite para pintar as paredes da nova igreja da pequena cidade onde vivia, aos 14 anos.
Convite recusado por uma total insegurança juvenil!

Um pouco da minha formação:
1987/1989 – PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS (PUCC)
Licenciatura em Educação Artística e Licenciatura Plena em Artes Plásticas.
1990/1992 – UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS (UNICAMP)
Modelagem, Desenho artístico e Gravura

Paralelamente aos cursos das universidades, participei de oficinas.
Entre elas, “Experimentação com Fibras Naturais” ( no “II Festival Latino-Americano de Arte” em Brasília, DF em 1989), ministrada por Shirlei Paes Leme;
E, em 1992, no MACA (Museu de Arte Contemporânea de Americana/ SP).
Cursos: “Objetos/Tempo Histórico/Fenomenologia” com Lily Simon e “Arte Brasileira: Situação Atual”.

Nesta época, um fato muda minha trajetória: em uma visita à uma exposição de arte contemporânea, deparei-me com uma montanha de cordas pintadas com um tom anil. Saí convícta de que o ser humano era capaz de fazer mais e melhor (!).

…………………………o0o…………………………

Nietzsche escreveu:
“É preciso muito caos interior para parir uma estrela que dança.”
Contanto, arte e espiritualidade sempre caminharam juntas em minha vida na tentativa de reorganizar este “caos interior”.
Tratei de esquecer, por um breve tempo, todos os “ismos” e me dediquei à pesquisa das “ias”: kirliangrafia, Cromoterapia, etc. Uma alma com natureza investigativa (a mesma que permeia artistas e cientistas).

…………………………o0o…………………………

1996 – Coletiva no “XIV Salão de Artes Plásticas de Rio Claro” (Rio Claro/SP);
1997 - “Primeira Mostra de Arte” – Núcleo de Artistas Plásticos de Rio Claro- Rio Claro/SP;
– Exposição “Anjos na História da Arte” – Museu Histórico e Pedagógico Amador Bueno da Veiga – Rio Claro/SP (coletiva);
– Exposição “Arte Sacra e Religiosa” – Centro Cultural Roberto Palmari – Rio Claro/SP (coletiva);
1999 – Trabalhos como arte-educadora, e cartões postais (aquarela) da cidade de Analândia/SP;
2001 – “Exposição em Homenagem à Tiradentes” (coletiva na praça -Tiradentes/MG);
– “Primeira Mostra de Artes da AAPT” (Associação dos Artistas Plásticos de Tiradentes);
– Coletiva “Homenagem aos Escravos” – Tiradentes/MG;
– “Exposição Coletiva de Cerâmica” – Tiradentes/MG;
2002 – “Salão de Artistas Plásticos de Tiradentes” – V Festival Internacional de Cultura e Gastronomia de Tiradentes;
– “300 Anos de Janela para a História” (coletiva para a V Mostra de Cinema de
Tiradentes/MG);
2003 – “Uns 300 Anos de Janela – Janelas para o Cinema” (coletiva para a VI Mostra de Cinema de Tiradentes/MG – homenagem à Fellini);
2005 - “Exposición Naturaleza Muerta” – Galeria La Gioconda – Guadalajara/ México;
2005 – Coletiva para o lançamento do Projeto “Brazil Cultural Trading” – Belo Horizonte/MG;
2006 - Exposição coletiva “Retomada” – Tiradentes/MG;
2009 – “Primeiro Festival de Artes Plásticas de Tiradentes” – coletiva
2010 – “Amigos na Arte” – exposição coletiva – Centro Cultural Yves Alves (Tiradentes/MG)
2011 – Exposição individual no evento “V Aberto Damha Golf” – Damha Golf Club – São Carlos/SP

Atuei também com arte-educadora, em escolas e projetos; participei de seminários nas áreas de preservação ambiental, Gestão do Patrimônio, Cidades e Patrimônio Integrando Planejamento e Preservação,etc.

Nota: Em 2000, um pedaço de madeira de demolição, que ganhei de uma amiga, deu início ao trabalho que desenvolvo até hoje.
Uma mistura de técnicas,incluindo pátinas, relevos,etc.

A opção pelas releituras deveu-se praticamente a três motivos principais: minha admiração pelos grandes mestres da Renascença e paixão pelos anjos por eles retratados, uma certa forma de contestar a “montanha de corda anil” e também, a um outro fato em particular.

Meu trabalho hoje:
Uma alusão, principalmente ao Barroco e Renascimento, permeados por figuras e palavras que, na minha concepção, representam
a impermanência. A impermanência dos momentos, dos sentimentos e pensamentos. Pássaros e penas simbolizando uma conexão
céu/terra, a imaginação e a liberdade.

A Madeira:
Tive a felicidade de crescer e poder viver em contato direto com a natureza. Esta experiência levou-me à uma relação de profundo respeito e amor por plantas, animais, àgua e terra. Enfim, por Gaia! Portanto, não exitei em trocar telas e outros materiais e utilizar a madeira como suporte para meus trabalhos.
Transcrevo aqui, parte de um texto que escrevi para um dos meus primeiros sites e que, para mim, continua a expressar, com perfeição, este sentimento:

“Tudo me fascina neste trabalho:
– A questão de poder exercer minha profissão, respeitando e preservando o meio ambiente;
– O aspecto lúdico da minha intervenção em um objeto que poderia ter sido iniciado por cupins
ou por pessoas ao colocarem aquele prego ou outros objetos naquela madeira há 80 ou 100 anos;
– A certeza, ao contemplar uma obra pronta, que parte da história desta madeira e das pessoas
que com ela tiveram contato não se perdeu!”

Atualmente, paralelo ao meu trabalho de pintura, tenho dedicado parte do meu tempo com pesquisas relacionadas à área de sustentabilidade e preservação.

Para terminar, agradeço a todas as pessoas que, de forma direta ou indireta, colaboraram para que eu pudesse realizar meu sonho de menina…e, são muitas! Muito obrigada!

Sejam bem vindos!

Brenda Faria